sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um Nativo Relativo: sobre infanticídio e cultura

Um índio que, infelizmente, não consegui identificar, lê carta aberta de Edson Bakairi. Édson é líder indígena em Mato Grosso, professor licenciado em História com especialização em Antropologia pela UNEMAT. É sobrevivente de tentativa de infanticídio - abandonado para morrer na mata, foi resgatado e preservado com vida por suas irmãs.


6 comentários:

Anônimo disse...

São fantásticos esses vídeos.
Desmontam completamente e viram pelo avesso tudo o que se diz e se divulga sobre o aquecimento global.
Como explicar que esses depoimentos, ao que se saiba, estão sendo incrìvelmente ignorados pela mídia que cobre o COP-15 em Copenhague e também pelos políticos que dela participam!!!?
SP

Cesar disse...

O documentário tem dez partes. O restante está no Youtube. Mas é muito pouco divulgado. No mínimo, no mínimo, o que se pode dizer é que há uma grande polêmica e uma completa incerteza sobre as causas do aquecimento global. Mas a ONU quer fazer leis e impostos de alcance mundial SEM QUE SE TENHA CERTEZA SE O PROBLEMA EXISTE.

Anônimo disse...

Olá Cesar,

Interessante. Mas será que Edson pode falar por todos os indígenas? Será que o fato de ele ser um pastor evangélico (longe de desmerecê-lo, ou imaginá-lo menos índio) não pede que ouçamos outras vozes, também indígenas? Gosto muito de seu blog, parabéns pelas sempre elucidativas postagens. É preciso lembrar também que Edson tem, também, ligação com ONGs (não querendo desmerecê-lo, nem pôr em dúvida óbvia sinceridade). Como você fez em outras questões, poderia colocar (caso exista) registro de vozes indígenas contra a proibição do infanticídio.

abraços e parabéns.

Cesar disse...

Olá,

Certamente o Edson não fala em nome de todos os índios. Ele fala em seu próprio nome, ou, no máximo, em nome do Movimento Indígena a Favor da Vida, grupo que criou juntamente com outras lideranças dos povos Terena, Kaiwa, Ticuna, Kamayura e Tukano, por exemplo.

Eu ainda não tive conhecimento de índios manifestando-se contra a proibição do infanticídio ou pelo (suposto) direito cultural ao infanticídio. Isso eu já ouvi, sim, de antropólogos brancos.

Não deixa de ser irônico ver um grupo de índios e os antropólogos em posições antagônicas nesta questão.

Os inventores do conceito de cultura parecem tomá-lo como um valor absoluto, coisa que os índios parecem rejeitar...

Bruno disse...

Olá César,

como vai? Penso que a maioria dos antropólogos - eu, por exemplo - defende não que o infanticídio seja cometido, e sim que os índios tenham direito a decidir se eles o cometem ou não.

Assim, a fala de Edson não me parece conflitante com o que seria o "discurso antropológico" sobre o tema, pelo contrário: a ideia seria justamente maximizar o poder dos índios na decisão de coisas que concernem mais a eles do que a nós, algo que parece um ponto pacífico, mas que na prática não ocorre.

Outro problema é que tendemos a uniformizar e homogeneizar os indígenas ao resumirmo-os em "índios" - obviamente, eles tem opiniões diferentes sobre os mesmos temas, e as resolvem à sua maneira. A ideia de uma "cultura indígena" é complicada por supor a existência de um pensamento único sobre as questões que eles se colocam, e portanto implica em um reducionismo. Assim, também não vejo a carta de Edson como uma forma de colocar índios de um lado, antropólogos de outro (até porque, como disse, os antropólogos não deveriam decidir sobre isso), e sim índios de um lado, índios de outro.

Att.,

Bruno.

Maria disse...

Não há como separar os fios da história em um único aspecto, desta forma é conflitante imaginar que dentro do capitalismo que estamos inseridos e o próprio indígena ultiliza-se de meios de comunicação da era globalizada como microfone e filmadora para divulgar esta carta de repúdio ao infanticídio, a prática de tal costume, comum a etnias como os Xíkrín (Que matam gemeos por acreditar que um deles é bom e o outro é ruim)ainda sejam aceitas pela sociedade. Logico que bastam um pouco de informações para que isso deixe de diminuir ainda mais um grupo humano em completa extinção. Mas não há motivos também para perseguição de antropólogos ou etnias que pratiquem esse costume, sabesse que as crianças em todas as tribos são respeitadas e ensinadas sob muitos cuidados e apenas em alguns casos específicos esse infanticídio acontece. O passo já foi dado, há uma campanha de conscientização entre os próprios indígenas para o fim da prática.

ABI MÉI!